sexta-feira, 12 de março de 2010

EL SECRETO DE SUS OJOS

Semana passada fui assistir o filme argentino "El secreto de sus ojos" ou "O segredo de seus olhos", de Juan José Campanella. Ganhador do oscar de melhor filme estrangeiro deste ano.


É um filme interessante não apenas pela direção, mas pelo roteiro que surpreende o espectador.


A película trata de um filme policial em que um oficial de justiça aposentado resolve escrever um romance baseado num caso investigado por ele, mas não completamente solucionado, há 25 anos.


Esposito (Ricardo Darín) procura sua antiga colega de trabalho, Irene (Soledad Villamil) no intuito de receber ajuda para preencher as lacunas que ficaram e para que ele possa dar um fim a todo esta angústia que ficou.


E o que motiva alguém a reviver, envolver-se novamente numa história tão penosa regada por sofrimento, violência, decepção?


As pessoas fazem isso...estamos a todo momento recontando nossa história, repetindo vivências que de alguma forma nos marcaram...tentando dar um sentido a elas.


É claro que ficam lacunas, muitos "esquecimentos"...mas existe um esforço tremendo para que eles sejam preenchidos para que a história contada por nós mesmos tenha sentido.


Sentido: de sofrimento, de direção. Isso talvez explique porque Esposito decide escrever sobre algo que não se completou, que ficou sem resposta, que gerou angústia. Ele vai buscar nomear, dar sentido a esta angústia.


E quando ele se dá conta do que faltava para esclarecer o caso, assim como quando conseguimos nomear sentimentos, esclarecer os paradoxos e distorções do nosso próprio pensamento, podemos pensar em resolução de conflitos, em elaboração psíquica.


Nenhuma arte como o cinema pode se comparar tão claramente aos sonhos, ao inconsciente e ao processo analítico através das imagens, dos ângulos e cortes de cena, montagem e todas suas ferramentas usadas no processo cinematográfico.

O cinema nos permite imergir nas mais profundas sensações mesmo aquelas inomináveis. Não importa a intenção do roteirista ou do diretor...quando nos apropriamos de um filme (como Esposito em relação ao crime) ele passa a fazer parte dos nossos sentidos.


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