Já a algum tempo tenho feito entrevistas com pessoas que vão morar em outro país.
A primeira pergunta que me faço é por que mudar? Do que se está abrindo mão e que expectativas se tem para o novo lugar escolhido?
Muitas pessoas tem uma resposta objetiva para estas perguntas: Viver melhor, novas oportunidades..
Parece que há o sentimento de que algo não está bem, como se houvesse uma grande decepção com aquilo que se construiu até então em suas próprias vidas e que, migrar para um novo país trará a esperanças de novas oportunidades e a felicidade.
Mas será que isso é possível? O que mudará na vida destas pessoas quando estiverem em contato com uma outra cultura, outra língua, outros hábiltos?
Talvez muito, talvez quase nada.
Pensar que a mudança vai trazer a garantia de felicidade é relegar sua responsabilidade por sua própria vida e escolhas. Parece que muitos não conseguem se colocar como agentes de suas próprias escolhas e idealizam a mudança como alternativa num processo mágico de satisfação.
O novo pode estar recheado de medos e temores por aquilo que não se sabe e não se conhece, mas ele também pode estar associado a fantasias de satisfação e prazer que nem sempre podem se realizar. E este pode ser o grande risco: frustrar-se fortemente por não encontrar o que está buscando.
Não se pode negar que uma viagem como esta pode trazer grandes experiências e maturidade, crescimento, mas que isto não seja confundido com satisfação plena e alegria eterna.
Fazer uma reflexão do que realmente está se buscando pode provocar uma grande mudança, talvez tão longa quanto emigrar para um outro país.
Tentar traduzir estes sentimentos de perda, de solidão, de decepção que estão associados a desesperança pode trazer novas perspectivas.