O que, na vida, determina as escolhas que fazemos? Muitas coisas, todos dirão, e com razão...mas por quê será que muitos permanecem vivendo em um estado de sofrimento ao invés de buscar alternativas para viver mais feliz?
É muito comum observarmos pessoas que acabam por fazer "escolhas" que trazem mais ansiedade e angústia. Isto as coloca num estado de fragilidade que parece evocar uma sensação de incapacidade e inoperância. Paralisia, imobilização. A pessoa se sente pequena e incapaz.
Às vezes, numa conversa, alguns podem dizer: "Por que tu não fazes isso ou aquilo?" "Por que tu escolhes sempre o caminho mais difícil"?
Mas não adianta. Não há mudança.
Para mudar tem que haver sofrimento. Mas aí, alguém mais antenado poderia dizer: "a pessoa já está sofrendo...". Sim, é verdade. Mas estamos falando de um sofrimento de desadaptação, de algo egodistônico.
Temos uma grande capacidade de nos adaptar às dores, às angústias, às perdas e talvez seja esta a questão..ao mesmo tempo em que esta adaptação nos permite ir adiante, seguir vivendo, também nos traz uma certa acomodação.
Enquanto convivemos com o sofrimento e, de certa forma, ele não "doer" demais, não parece que exista algo que nos faça fazer um movimento para tentar elaborar o que nos faz sofrer.
É quando o sofrimento deixa de ser sintônico, ou seja, deixa de ser percebido como algo incorporado ao nosso "eu" que podemos promover esta mudança.
Assim, podemos pensar que para fazermos uma "escolha" no sentido de elaborarmos nossos conflitos e buscarmos possibilidades de mais prazer e satisfação, a dor necessariamente deve "doer". Uma dor nem tão forte que nos imobilize pela sensibilidade, nem tão fraca que seja tolerável, mas que seja suficiente intensa para nos incomodar e nos desadaptar.